Energias renováveis ganham escala e devem consolidar virada histórica na geração elétrica em 2026
Em um minuto:
- Virada na geração elétrica global: em 2025, a geração combinada de fontes renováveis, como solar e eólica, superou o carvão no fornecimento mundial de eletricidade. O avanço das fontes renováveis ocorre em um contexto de forte crescimento da demanda por eletricidade.
- Solar e eólica no centro da transição energética: essas fontes lideram a expansão da eletricidade de baixo carbono no mundo e, juntas, respondem por cerca de 15% do fornecimento global de eletricidade.
- Previsão para 2026: projeções da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que, até o fim deste ano, as renováveis devem se consolidar como a principal fonte de eletricidade do mundo, respondendo por cerca de 36% do fornecimento global, enquanto o carvão recuará para 32%, sua menor participação em um século.
O sistema elétrico mundial pode estar atravessando um ponto de inflexão. Em 2025, a geração combinada de fontes renováveis, como solar e eólica, superou o carvão no fornecimento global de eletricidade. O crescimento das fontes renováveis também se reflete no volume de investimentos do setor. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o aporte global em energia ultrapassou US$ 3,3 trilhões em 2025, dos quais cerca de US$ 2,2 trilhões (aproximadamente dois terços do total) foram destinados a tecnologias de baixo carbono, incluindo renováveis, redes elétricas, armazenamento, eficiência energética, veículos elétricos e combustíveis de baixa emissão.
O avanço das fontes renováveis ocorre em um contexto de forte crescimento da demanda por eletricidade. A expansão da inteligência artificial, a eletrificação de transportes e processos industriais e a transformação digital pressionam os sistemas energéticos e elétricos em todo o mundo. Ainda assim, o aumento da geração solar e eólica foi suficiente para atender a 100% da demanda adicional, evitando a escalada ainda maior no uso do carvão.
A energia solar lidera a expansão das renováveis e já é, há três anos consecutivos, a principal contribuinte para o crescimento da eletricidade de baixo carbono no mundo. A eólica também bateu recordes e, juntas, essas duas fontes fornecem cerca de 15% da eletricidade mundial, o dobro do que representavam em 2019. Graças a tecnologias mais maduras, a geração de eletricidade a partir das fontes solar e eólica já apresenta custos inferiores aos do carvão e do gás natural em grande parte do mundo. Embora os investimentos iniciais ainda sejam elevados, a rápida redução dos custos operacionais faz com que, ao longo de sua vida útil, essas fontes produzam eletricidade mais barata do que as alternativas fósseis. Para se ter ideia, em 2024, a geração de eletricidade a partir de fontes renováveis evitou cerca de US$ 467 bilhões em gastos com combustíveis fósseis. Não por acaso, mais de 90% da nova capacidade instalada no planeta naquele ano veio de fontes limpas.
A expansão das energias renováveis deve se manter em 2026. Projeções da IEA indicam que, até o fim do ano, elas devem se consolidar como a principal fonte de eletricidade do mundo, respondendo por cerca de 36% do fornecimento global, enquanto o carvão recuará para 32%, sua menor participação em um século. Esse movimento é impulsionado sobretudo pela redução do uso do carvão na China e na União Europeia, mesmo diante do aumento do consumo de combustíveis fósseis em países como Índia e Estados Unidos.
Geração global de eletricidade por tipo de fonte, em terawatts-hora, no período entre 1990 e 2026. Os números para 2025 e 2026 são projeções. As energias renováveis incluem eólica, solar, hídrica, bioenergia e geotérmica. FONTE: IEA Electricity Mid-Year Update 2025/CarbonBrief.
Apesar dos avanços, os números exigem interpretação cautelosa. Em 2024, as fontes renováveis, como solar, eólica e biomassa, responderam por cerca de 41% da eletricidade gerada globalmente, superando o carvão, que representou, individualmente, 34,4% da matriz elétrica. Esses dados, porém, não indicam o fim do domínio dos combustíveis fósseis: somados carvão, gás e petróleo, essas fontes foram responsáveis por aproximadamente 59% da geração elétrica global, indicando que a transição energética segue em curso e ainda precisa ganhar escala.
Energias renováveis no Brasil
O Brasil se destaca no cenário global por já contar com uma matriz elétrica majoritariamente limpa. Hoje, quase metade da oferta interna de energia, que inclui eletricidade, transportes e usos industriais, provém de fontes renováveis. Além disso, em 2024, cerca de 90% da eletricidade gerada no país veio de fontes de baixa emissão, patamar muito superior à média mundial, de 41%. Nesse mesmo ano, o Brasil entrou para o grupo dos cinco maiores geradores de energia solar do mundo e registrou o terceiro maior índice crescimento global em geração solar e eólica. Como resultado dessa configuração, os combustíveis fósseis responderam por apenas 10% da eletricidade nacional, e as emissões do setor elétrico per capita foram as mais baixas do G20, equivalendo a cerca de um quinto da média global.
Desafios para a transição energética
Apesar da expansão das energias renováveis, a transição energética ainda enfrenta entraves relevantes. Em diversas regiões, a inércia regulatória, as disputas geopolíticas e as lacunas nos marcos legais retardam a implementação de projetos que visam à geração de eletricidade a partir de fontes de baixo carbono.
Esses desafios se tornam ainda mais críticos nos países em desenvolvimento, cujas economias crescem rapidamente e impulsionam a demanda por eletricidade. Segundo a IEA, essas economias devem responder por cerca de 85% do aumento da demanda global de eletricidade entre 2025 e 2027. Paradoxalmente, é justamente nesses países que a expansão da geração de eletricidade a partir de fontes renováveis tende a avançar de forma mais lenta.
Em muitos países em desenvolvimento, os projetos de energia solar e eólica enfrentam condições financeiras menos favoráveis do que os empreendimentos baseados em carvão ou gás natural. Os combustíveis fósseis se beneficiam de décadas de arcabouços institucionais consolidados, contratos de longo prazo, garantias governamentais e instrumentos de mitigação de risco, o que reduz o custo do capital. Em contraste, os projetos de geração a partir de fontes renováveis, embora apresentem custos totais menores ao longo de sua vida útil, costumam operar com garantias mais limitadas e maior percepção de risco por parte de governos e instituições financeiras, o que tende a elevar o custo do investimento inicial.
Superar essas barreiras será determinante para acelerar a transição energética em escala global. A trajetória observada até o início de 2026 indica que a expansão das fontes renováveis deixou de ser uma promessa e passou a integrar a realidade dos sistemas elétricos, ainda que de forma desigual entre países. Nesse contexto, o fortalecimento dos marcos regulatórios, a ampliação dos instrumentos de financiamento e a redução do custo de capital para projetos de energia limpa são essenciais para consolidar os avanços alcançados. Diante da emergência climática, a expansão das fontes renováveis é estratégica não apenas para atender à crescente demanda por eletricidade, mas também para reduzir emissões, reforçar a segurança energética e mitigar os impactos ambientais associados aos combustíveis fósseis.
Para mais conteúdo relacionado às mudanças climáticas, acesse o Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba neste link.
Para receber e-mails com as notícias, cadastre-se aqui.
Para citar este artigo:
OBSERVATÓRIO SISTEMA FIEP / PAINEL DE INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA (PIMCC). Energias renováveis ganham escala e devem consolidar virada histórica na geração elétrica em 2026. Disponível em: https://paineldemudancasclimaticas.org.br/noticia/energias-renovaveis-superam-carvao-eletricidade-global. Acesso em: dd/mm/aaaa.
#MudançasClimáticas #ClimateChange#TransiçãoEnergética #EnergiaRenovável #EnergiaSolar #EnergiaEólica #EnergiaLimpa #Descarbonização
Fontes consultadas
CHI, K. H-K./THE CONVERSATION. Why countries struggle to quit fossil fuels, despite higher costs and 30 years of climate talks and treaties. Disponível em: https://theconversation.com/why-countries-struggle-to-quit-fossil-fuels-despite-higher-costs-and-30-years-of-climate-talks-and-treaties-266993. Acesso em: 13 jan. 2026.
EVANS, S./CARBONBRIEF. IEA: Renewables will be world’s top power source ‘by 2026’. Disponível em: https://www.carbonbrief.org/iea-renewables-will-be-worlds-top-power-source-by-2026/. Acesso em: 13 jan. 2026.
GULLEDGE, J./THE CONVERSATION. Renewable energy is cheaper and healthier – so why isn’t it replacing fossil fuels faster? Disponível em: https://theconversation.com/renewable-energy-is-cheaper-and-healthier-so-why-isnt-it-replacing-fossil-fuels-faster-269685. Acesso em: 13 jan. 2026.
KOLACZKOWSKI, M./WORLD ECONOMIC FORUM. Global energy in 2026 will be marked by growth, resilience and competition. Disponível em: https://www.weforum.org/stories/2025/12/global-energy-2026-growth-resilience-and-competition/. Acesso em: 13 jan. 2026.
REVISTA MUNDO ELÉTRICO. Setor de energia projeta cenário de demanda crescente em 2026, e Brasil ganha protagonismo com renováveis em alta e diversificação da matriz. Disponível em: https://www.revistamundoeletrico.com.br/mercado/setor-de-energia-projeta-cenario-de-demanda-crescente-em-2026-e-brasil-ganha-protagonismo-com-renovaveis-em-alta-e-diversificacao-da-matriz/. Acesso em: 13 jan. 2026.
ROWLATT, J./BBC NEWS BRASIL. Renováveis ultrapassam carvão e se tornam maior fonte de energia elétrica pela 1ª vez na história. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c0q7xxyn51do. Acesso em: 13 jan. 2026.