Cidades felizes

Os centros urbanos como promotores da qualidade de vida e do bem-estar

Autor
Observatório Sistema Fiep - 09/09/2025

Em um minuto:

  • Em 2025, o Happy City Hub listou as 200 cidades mais felizes do mundo. Copenhague (Dinamarca), Zurique (Suíça) e Singapura (Singapura) lideraram o ranking.
  • O Brasil não teve cidades entre as mais felizes do mundo no ranking do Happy City Hub, mas o Índice de Progresso Social (IPS 2025) destacou Gavião Peixoto (SP), Gabriel Monteiro (SP) e Jundiaí (SP) como as cidades brasileiras com maior qualidade de vida. Entre as capitais, Curitiba, São Paulo e Florianópolis lideraram.
  • Entre os principais riscos à felicidade nas cidades estão conflitos sociais, desigualdade e as ameaças das mudanças climáticas. Já a abundância de espaços verdes, a mobilidade sustentável, a inovação social e as políticas públicas robustas aparecem como soluções promotoras de bem-estar nos centros urbanos.
  • Além da pontuação em rankings, as experiências locais também contam: São Gonçalo do Abaeté (MG) desenvolve desde 2022 um programa baseado no conceito de Felicidade Interna Bruta, com projetos voltados à educação, saúde, cultura, meio ambiente e governança.

O que faz uma cidade ser considerada feliz? Essa pergunta tem ganhado relevância à medida que cresce o interesse dos cidadãos por centros urbanos capazes de oferecer bem-estar, segurança e oportunidades. Embora a felicidade seja uma experiência subjetiva e variável para cada pessoa, iniciativas internacionais têm buscado traduzir essa percepção em métricas que ajudam a compreender o que funciona e o que ainda falta melhorar.

Um desses levantamentos resultou no ranking do Institute for Quality of Life, desenvolvido pelo Happy City Hub. No estudo, foram identificadas as 200 cidades mais felizes no mundo a partir de critérios como saúde, governança, meio ambiente, economia, mobilidade e bem-estar dos cidadãos. Desse total, 31 receberam a classificação “ouro”, por alcançarem resultados exemplares.

Copenhague, na Dinamarca, lidera a lista, seguida por Zurique (Suíça) e Singapura (Singapura). Essas cidades conquistaram o topo por aliarem políticas públicas centradas nos cidadãos a uma elevada qualidade de vida. Mas, apesar da popularidade desses índices, cabe destacar que não existe fórmula única para atingir a felicidade em uma cidade. O que se mede nesses rankings são boas práticas que, em geral, estão associadas à criação de ambientes urbanos mais equilibrados e sustentáveis.

No caso do ranking do Happy City Hub, citado acima, a lista de fatores avaliados como promotores de felicidade é ampla. No eixo saúde, foram considerados aspectos como nutrição e saúde mental. Já a economia foi analisada a partir de indicadores como taxa de desemprego, custo de vida, renda e políticas de licença parental. No meio ambiente, entraram em cena critérios como poluição, taxa de reciclagem e quantidade de áreas verdes disponíveis. A governança, por vez, foi avaliada a partir de dados de participação eleitoral e acesso da população a serviços digitais. Na mobilidade urbana, transporte público eficiente e índices de acidentes de trânsito também foram contabilizados. Por fim, no eixo referente aos cidadãos, o estudo examinou o acesso à educação, moradia, cultura e inclusão de pessoas idosas ou com deficiência.

Os resultados dessa e de outras avaliações revelam caminhos possíveis, mas também alertam para riscos que podem comprometem o bem-estar e a qualidade de vida nos centros urbanos. Conflitos sociais, desigualdades e impactos das mudanças climáticas são apontados como ameaças à felicidade nas cidades. Em contrapartida, políticas públicas robustas, espaços verdes, mobilidade sustentável, projetos de inovação social e iniciativas centradas nas pessoas aparecem como marcas das cidades que se destacaram positivamente.

No ranking internacional, nenhuma cidade brasileira figurou entre as 200 classificadas como as mais felizes. Ainda assim, há esforços nacionais para medir o bem-estar urbano. Um exemplo é o Índice de Progresso Social (IPS), realizado pelo Instituto Imazon, que em 2025 listou as 20 cidades brasileiras com melhor qualidade de vida, métrica que pode ser utilizada para estimar a felicidade nos municípios do país.

O IPS utilizou 57 indicadores agregados em três dimensões: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Na edição de 2025, Gavião Peixoto (SP) liderou com 73,26 pontos (de 100 pontos), seguida por Gabriel Monteiro (SP) e Jundiaí (SP). Entre as capitais, Curitiba alcançou a melhor nota (69,89), à frente de São Paulo (66,45) e Florianópolis (64,00). O estudo completo está disponível neste link.

Esses levantamentos oferecem parâmetros úteis, mas é importante lembrar que a percepção de felicidade é subjetiva. O que faz sentido para uma metrópole europeia pode não refletir as necessidades de uma cidade brasileira de médio porte, por exemplo. Por isso, algumas localidades têm criado seus próprios critérios para promover a qualidade de vida dos seus cidadãos. É o caso de São Gonçalo do Abaeté (MG), que desde 2022 desenvolve um programa municipal inspirado no conceito de Felicidade Interna Bruta (FIB). A iniciativa, pioneira no país, reúne 13 projetos relacionados a nove dimensões, entre elas educação, saúde, bem-estar psicológico, cultura, meio ambiente e governança. Em 2025, a cidade mineira de 8 mil habitantes se destacou na categoria “Cidades Inteligentes”, em premiação concedida durante o Smart City Expo Curitiba Brazilian Awards, com o projeto “São Gonçalo Mais Feliz: Sustentabilidade e Bem-Estar na Gestão Pública Municipal”.

Experiências como essa mostram que medir a felicidade urbana vai além de pontuar em rankings globais. Trata-se de entender a cidade a partir do olhar de seus habitantes e de criar políticas públicas capazes de responder às suas necessidades. Afinal, cidades felizes não nascem de números, mas da soma de práticas inclusivas, ambientes saudáveis e oportunidades que permitem às pessoas viver com dignidade e bem-estar.

 

E para você, o que torna uma cidade feliz?

 

Para mais conteúdo relacionado às mudanças climáticas, acesse o Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba neste link.

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Para citar este artigo:

OBSERVATÓRIO SISTEMA FIEP / PAINEL DE INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DE CURITIBA (PIMCC). Cidades felizes - Os centros urbanos como promotores da qualidade de vida e do bem-estar. Disponível em: https://paineldemudancasclimaticas.org.br/noticia/cidades-felizes. Acesso em: dd/mm/aaaa.

 

#MudançasClimáticas #ClimateChange #CidadesFelizes #HappyCities

 

Fontes consultadas

CORREIO BRAZILIENSE. Conheça a pequena cidade que se destaca como a mais feliz do Brasil. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cbradar/conheca-a-pequena-cidade-que-se-destaca-como-a-mais-feliz-do-brasil/. Acesso em: 3 set. 2025.

EXAME. Ranking mundial mostra as 31 cidades mais felizes do mundo — e nenhuma é no Brasil. Disponível em: https://exame.com/mundo/ranking-mundial-mostra-as-31-cidades-mais-felizes-do-mundo-e-nenhuma-e-no-brasil/. Acesso em: 3 set. 2025.

ISTO É DINHEIRO. Ranking revela cidades com a melhor e pior qualidade de vida no Brasil em 2025. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/cidades-qualidade-de-vida-2025. Acesso em: 3 set. 2025.


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